Um click

Um click
#Internet
#dependência
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Há algum tempo, pesquisadores de variadas áreas do conhecimento humano, especialmente da saúde (médicos, psicólogos, neurocientistas entre outros), dedicam considerável esforço em pesquisas sobre o que denominam como “comportamento compulsivo possibilitado pela internet” ou “compulsão de mídia digital” e, ainda, mais popularmente “dependência de internet” (há outras nomenclaturas possíveis, mas essas são comumente mais usadas).

Ao ler as terminologias acima, muito provavelmente, você já imaginou do que se trata o assunto desse texto. É fato que, assim como muitas outras pessoas, você também só conseguiu acessar essa página e ler este conteúdo devido à nossa familiar e muito útil rede mundial que interliga computadores, celulares e uma múltipla variedade de equipamentos tecnológicos, a tão “querida” internet. Ela, de forma audaciosa, “disse” há muito tempo que veio para ficar, transformando a vida de parte considerável da população mundial.

Os grandes benefícios que temos em poder utilizar a internet, já é de conhecimento da grande maioria da população mundial. Informações de todos os tipos, fontes e contextos são verificadas com apenas alguns “clicks”.

Em 2020, de forma especial, a humanidade explorou os recursos que a rede mundial de computadores e equipamentos de mídia digital podem nos oferecer. Tal situação se deu em razão das limitações de mobilidade física e urbana impostas pela pandemia do COVID-19 que teve, como uma das suas consequências, a migração de atividades que outrora se davam no contexto físico para o ambiente virtual.

Bom, em minha opinião, gostaria muito que essa bela história tivesse somente o lado positivo, no entanto, o uso da internet, além dos seus consideráveis benefícios, apresenta grandes riscos – um deles é, justamente, o uso patológico da internet e dispositivos de mídia digital.

Quando falamos em uso patológico, estamos considerando a dependência que uma pessoa poderá gerar tendo em vista alguns aspectos relacionados à frequência de conexão, necessidade crescente de consumo de materiais digitais estimulantes e também as reações de cunho psicofisiológico quando se vê separado da internet.

Algumas perguntas podem nos ajudar a refletir sobre nossa própria condição, tais como: Por quanto tempo me dedico semanalmente ao uso de aparelhos de mídia digital e à internet? O que sinto, do ponto de vista psicológico e possivelmente corporal/físico quando estou sem ou com limitado acesso à rede de internet e equipamentos de mídia digital? O que as pessoas próximas a você dizem a respeito da sua frequência de uso da internet? O uso da internet tem prejudicado suas relações pessoais, familiares, seu sono ou atividades profissionais e escolares?

As perguntas acima apenas intencionam uma breve reflexão pessoal, no entanto, é de fundamental importância, caso perceba que o assunto possibilitou certo incômodo, que você busque um profissional competente para dialogar e receber orientação especializada.

Assim como conhecemos bem os efeitos nefastos da dependência de uma multiplicidade de substâncias químicas (álcool, drogas e medicamentos), de jogos de azar e qualquer atividade ou produto que cause prejuízo considerável no âmbito pessoal, social e financeiro, a internet e os recursos de mídia digital também podem entrar nesse conjunto de elementos que envolvem risco ao bem estar humano.

Vale a pena dizer que, ao olhar de forma geral a vida e, se assim perceber que o uso que faz desses recursos tecnológicos e digitais não lhe causa prejuízo em dimensões importantes da vida, fique tranquilo: talvez a situação não se classifique como uma dependência.

A internet nos possibilita encontrar e reencontrar pessoas que há muito tempo não víamos, ler bons textos, ver imagens incríveis de lugares que não conhecemos, expressar nosso carinho e atenção aos outros, ser solidários e ajudar os que necessitam, manter próximas as amizades de pessoas que gostamos e que talvez residam longe de nós.

O mais importante, após essa brevíssima provocação para pensarmos sobre o assunto, é que você, ao usar a internet e os aparelhos de mídia digital, o faça de forma consciente e com a moderação necessária de acordo com suas necessidades profissionais, escolares e de lazer.

Como opinião pessoal, apesar de ser um apreciador da tecnologia, considero que o contato direto com as pessoas, o diálogo face a face, é ainda a alternativa mais saudável, quando possível, claro!

O mundo digital tem suas vantagens, e devemos com sabedoria, utilizar bem seus recursos, para nos beneficiarmos das boas experiências. Esta também, penso ser, a lógica do “mundo físico”.  

Esteja “on” quando puder, no entanto, não se esqueça de ficar “off” tão logo seja possível. Basta dar um click, seja para ligar ou desligar, penso nisso!

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Por Marcos Gleiser

Observatório das Juventudes PUCPR