Eu sou porque nós somos

Eu sou porque nós somos
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Há uma historieta na cultura africana na qual diz que um pesquisador estrangeiro, em visita a uma específica tribo, colocou um cesto de frutas perto de uma árvore, chamou algumas crianças do local e disse a elas que aquela que chegasse primeiro ao cesto ficaria com todas as frutas. Qual foi a sua surpresa ao perceber que, dado o sinal, as crianças deram-se as mãos e chegaram juntas até a árvore. Felizes, passaram a saborear os frutos e a compartilhar sorrisos. Ao perguntar a uma delas sobre o porquê desse ato, o professor recebeu como resposta: “Ubuntu, tio. Como eu fico feliz se as outras estarão tristes?”.

Ubuntu. Do termo propriamente dito: “eu sou porque nós somos”. Há uma preocupação com o coletivo, na qual o todo se mostra maior e mais forte que a soma de suas partes isoladas. Se uma parcela não vai bem, a totalidade sente o impacto. Aliás, a totalidade só terá um real sentido quando todas as partes estiverem conectadas. Uma vez que os seres humanos são seres de relação, espera-se que a visão sistêmica seja algo com que tenham como primordial a própria vida.

Se existe uma categoria social que busca seguir a filosofia do ubuntu, essa categoria é a juventude. É próprio da cultura juvenil a manifestação por meio de grupos, ou seja, espaços de acolhida e pertencimento nos quais os jovens possam se expressar. Basta um olhar atento ao cotidiano, que perceberá rapidamente: jovens andam em bandos, agrupados. A interação de uns com os outros permite não somente a criação de vínculos interpessoais entre seus membros, como também a formação da própria identidade.

Diversas instituições - tais como escola, sociedade e igreja – mostram-se atentas e esse movimento a ponto de investirem tempo e energia na metodologia de grupos. Acreditam que tais iniciativas possam contribuir com a formação juvenil. Os grupos de jovens são para a Igreja, até hoje, espaços privilegiados de evangelização. Movimentos políticos organizam-se por agrupamentos partidários que unem pessoas a partir de suas convicções. Ativistas mobilizam-se juntos via coletivos. As instituições de educação promovem grupos de estudo para o reforço do saber. A própria PUCPR fomenta a participação de seus estudantes em clubes universitários, espaços temáticos para debate e diálogo.

Falar em juventudes é dizer sobre movimento em grupos. Eis uma via de mão dupla em que individual e coletivo caminham de braços dados. O saldo final sempre será positivo, com a formação de jovens com senso de acolhida, respeito com o coletivo e despertos à solidariedade. Trata-se de uma grande injeção de ânimo para curar um mundo que tende ao individualismo. Cada um é porque todos são. Ubuntu!

 

Diogo Luiz Galline

Especialista | Observatório das Juventudes